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Entre a euforia da corrida espacial e as tensões ideológicas da Guerra Fria, De Rato à Lua (The Mouse on the Moon) transforma um pequeno principado europeu em palco de uma das mais engenhosas sátiras políticas produzidas pelo cinema britânico da década de 1960. Continuação direta do universo criado por Leonard Wibberley e iniciado nas telas por The Mouse That Roared (1959), o filme abandona qualquer pretensão de ficção científica convencional para construir uma comédia de costumes que ironiza a lógica das superpotências, expondo como propaganda, diplomacia e prestígio internacional frequentemente se sobrepunham às necessidades reais das populações.

No diminuto Grão-Ducado de Grand Fenwick, uma crise doméstica aparentemente banal — a urgente necessidade de substituir um antiquado sistema hidráulico do castelo — leva seus governantes a conceber um plano improvável: solicitar financiamento internacional sob o disfarce de um programa espacial. O estratagema desperta imediatamente o interesse simultâneo de Washington e Moscou, que enxergam na pequena nação uma oportunidade estratégica para ampliar influência política durante o auge da disputa tecnológica entre Oriente e Ocidente. O que deveria ser apenas uma operação burocrática transforma-se numa sucessão de acontecimentos imprevisíveis, onde cientistas excêntricos, diplomatas desconfiados, agentes de inteligência e representantes das grandes potências acabam envolvidos numa competição tão absurda quanto reveladora das contradições daquele período histórico.

Richard Lester conduz essa premissa com um refinado equilíbrio entre humor britânico, sátira institucional e ritmo farsesco. Antes de revolucionar o cinema popular com A Hard Day's Night, o diretor já experimentava aqui soluções visuais que romperiam com a encenação tradicional das comédias britânicas, privilegiando movimentos de câmera dinâmicos, montagem ágil e uma narrativa que constantemente ridiculariza a solenidade dos discursos oficiais. A comicidade nasce menos das situações extravagantes do que do contraste entre a grandiosidade dos projetos internacionais e a simplicidade quase medieval de Grand Fenwick, cuja ingenuidade acaba desestabilizando mecanismos políticos infinitamente mais complexos do que seus próprios governantes imaginam.

Sob sua aparência leve, a obra preserva um comentário mordaz sobre nacionalismo, corrida armamentista, burocracia estatal, propaganda científica e competição geopolítica, temas tratados com um humor que permanece reconhecivelmente britânico e deliberadamente elegante. Em vez de ridicularizar a exploração espacial em si, o filme dirige sua ironia ao uso político da ciência e à necessidade constante das grandes potências de demonstrar superioridade diante do mundo. Essa combinação entre fantasia, crítica diplomática e espírito satírico consolidou The Mouse on the Moon como uma curiosa e singular representação cinematográfica das ansiedades do início da década de 1960, permanecendo como uma das continuações mais originais produzidas pelo cinema britânico daquele período.

 

Registro da Obra
Título Original The Mouse on the Moon
Título O Rato na Lua
Ano 1963
Direção Richard Lester
Países de origem Reino Unido
Gênero Comédia, Ficção Científica, Romance, Sátira Política
Cores Colorido
Elenco Margaret Rutherford, Ron Moody, Bernard Cribbins, David Kossoff, Terry-Thomas, June Ritchie, John Le Mesurier, John Phillips, Eric Barker, Roddy McMillan, Tom Aldredge, Michael Trubshawe, Peter Sallis, Clive Dunn, Hugh Lloyd, Graham Stark, Mario Fabrizi, Jan Conrad, John Bluthal, Archie Duncan
Produtor Walter Shenson
Duração 82 Min.
Idioma Original Inglês
Idiomas Presentes Inglês, Russo
Compositor Ron Grainer
Fotografia Wilkie Cooper
Montagem Bill Lenny
Baseado em Romance The Mouse on the Moon (1962), de Leonard Wibberley
Roteiro Michael Pertwee
Registro da Edição
Legenda Espanhol, Francês, Grego, Inglês, Português
Nota de Edição Esta edição foi produzida a partir da melhor fonte oficial atualmente disponível, com resolução máxima aproximada de 720 × 432 pixels. Até o momento, a obra não recebeu uma restauração oficial amplamente disponibilizada em resolução superior. Assim, limitações de definição, contraste e granulação são características naturais do material original e não representam defeitos desta edição.

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