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Corysande de Bray, conhecida por todos como Chiffon, é uma jovem aristocrata de dezesseis anos cuja espontaneidade, imaginação e independência entram continuamente em conflito com as convenções do ambiente familiar. Incapaz de aceitar passivamente as regras de comportamento reservadas às mulheres de sua posição, ela mantém uma relação de permanente confronto com a mãe, Madame de Bray, que deseja encaminhá-la para um casamento socialmente vantajoso e libertar a casa de sua presença considerada indisciplinada.

O pretendente escolhido é o duque d’Aubières, um homem distinto, generoso e bem-posicionado, cuja proposta reúne todas as qualidades que a família considera necessárias para um matrimônio ideal. Chiffon, entretanto, recusa-se a transformar respeito e gratidão em amor. Embora reconheça a bondade do duque, percebe que aceitar a união significaria submeter a própria vida aos interesses e às expectativas de uma sociedade preocupada com títulos, aparências e conveniências.

Por trás de sua rebeldia existe um sentimento ainda não inteiramente revelado. Chiffon está apaixonada por Marc, irmão de seu padrasto, homem mais velho, fotógrafo e presença afetiva que compreende melhor seu temperamento inconformado. Marc, porém, não percebe imediatamente a natureza desse afeto, enquanto Chiffon oscila entre a insolência, a vulnerabilidade e o medo de confessar aquilo que sente.

A partir desse conflito, Claude Autant-Lara constrói uma comédia romântica de encontros, recusas e equívocos, na qual a leveza dos diálogos convive com uma crítica à rigidez da família burguesa e aristocrática. O duque, longe de ser transformado em antagonista, reconhece a verdade emocional da jovem e age com dignidade, ajudando Marc a compreender que Chiffon o ama. O casamento que encerra a narrativa deixa, assim, de representar uma imposição social para tornar-se consequência de uma escolha afetiva.

Adaptado do romance de Gyp, Casamento de Chiffon observa a passagem da adolescência para a vida adulta sem eliminar as contradições da protagonista. A irreverência de Chiffon não funciona apenas como elemento cômico: é a expressão de uma jovem que procura preservar a própria identidade diante de um mundo decidido a escolher por ela. Com Odette Joyeux no papel central, o filme articula romance, humor e crítica de costumes em torno da liberdade de amar fora das conveniências estabelecidas.


Registro da Obra
Título Original Le mariage de Chiffon
Título Casamento de Chiffon
Ano 1942
Direção Claude Autant-Lara, Pierre Guerlais
Países de origem França
Gênero Comédia romântica, Comédia de costumes, Romance de época
Cores Preto & Branco
Elenco Odette Joyeux, André Luguet, Jacques Dumesnil, Pierre Larquey, Robert Le Vigan, Suzanne Dantès, Louis Seigner, Georges Vitray, Bernard Blier, Jean Boissemond, Raymond Bussières, Monette Dinay, Max Doria, France Ellys, Luce Fabiole, Richard Francoeur, Paul Frankeur, Émile Genevois, Pierre Jourdan, Marthe Mellot, Jeanne Pérez, Germaine Stainval, Yvonne Yma
Produtor Pierre Guerlais
Duração 103 Min.
Idioma Original Francês
Compositor Roger Désormière
Fotografia Philippe Agostini, Jean Isnard
Montagem Raymond Lamy
Baseado em Baseado no romance homônimo Le Mariage de Chiffon, de Gyp
Roteiro Jean Aurenche, Maurice Blondeau, René Wheeler
Registro da Edição
Legenda Alemão, Francês, Inglês, Português, Russo

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